5# COMPORTAMENTO 10.9.14

     5#1 PUNIO EXEMPLAR
     5#2 ELE DEVERIA TER SIDO SOLTO?
     5#3 SERGIO RODRIGUES: O LEGADO DO MESTRE DAS CADEIRAS
     5#4 TRAIO, PODER E VINGANA
     5#5 O SEAWORLD FAZ GUA

5#1 PUNIO EXEMPLAR
Em medida indita no Pas, o Grmio  excludo de uma competio nacional por causa do comportamento racista de torcedores. A deciso marca uma nova fase na luta contra as manifestaes de preconceito nos estdios
Rodrigo Cardoso (rcardoso@istoe.com.br)

O compositor Lupicnio Rodrigues (1914-1974) exaltava um trao democrtico do Grmio Foot Ball Porto Alegrense para justificar como ele, um negro, havia aceitado compor um hino para o clube que sustentava a desonrosa posio de ter sido o ltimo no Pas a permitir a presena de jogadores dessa raa em seu plantel  fato ocorrido em 1952. Gremista inveterado, Lupicnio argumentava que seu time de corao havia acenado favoravelmente para que equipes da chamada Liga da Canela Preta, criada no Sul para que os negros excludos desse esporte pudessem pratic-lo, fossem incorporados ao Campeonato Gacho. A histria gremista  permeada por exemplos de igualdade e incluso, como tambm de episdios racistas patrocinados por grupos minoritrios  o que no  privilgio da agremiao gacha. Na quarta-feira 3, o Grmio pagou caro por sustentar entre o quadro de torcedores pessoas que reforam a discriminao racial. Em uma deciso unnime do Superior Tribunal de Justia Desportiva (STJD), o clube tornou-se o primeiro a ser excludo de uma competio nacional, a Copa do Brasil, por atos de injria racial. O fato que precipitou a condenao ocorreu em agosto, na Arena Grmio, em Porto Alegre, quando, da arquibancada, gremistas gritaram palavras como macaco e preto fedido para o goleiro Aranha, do Santos, em jogo vlido por essa competio. A sociedade no suporta mais esse tipo de barbrie. Punir categoricamente a instituio em mbito cvel  um recado em alto e bom som, diz o socilogo Maurcio Murad, do mestrado da Universidade Salgado de Oliveira (Universo).

COVARDIA - Sob gritos de -macaco-, proferidos por gremistas como a dentista
 Patrcia Silva, o goleiro Aranha, do Santos, protesta

Apesar de, depois do episdio, o clube impedir a Geral do Grmio, torcida organizada que entoa coros de cunho racista, de frequentar a Arena por tempo indeterminado e de ter ajudado a identificar cinco pessoas que ofenderam Aranha, o STJD no aliviou na pena, o que gerou uma discusso na esfera esportiva. Para o jornalista e comentarista esportivo Juca Kfouri, se os clubes tomarem as atitudes necessrias para identificar os responsveis e entreg-los s autoridades, no devem ser responsabilizados. O tricolor gacho, porm,  reincidente. J havia sido condenado a pagar R$ 80 mil de multa depois que, em partida vlida pelo Campeonato Gaucho na Arena, em maro, o zagueiro do rival Internacional foi chamado de macaco por um torcedor gremista (leia quadro). Mais do que isso, o Grmio s se mexeu por medo da punio e no porque se tratava de uma causa contra a qual luta interna e ferrenhamente, afirma o historiador Marcel Tonini, cuja dissertao de mestrado dissecou a histria dos negros no futebol brasileiro.

JUSTIA - Na quinta-feira 4, a dentista admitiu os insultos ao prestar depoimento  polcia

De fato, para que o episdio tenha carter educativo  e at preventivo   preciso fazer valer a mxima da justia criminal segundo a qual a punio que melhor produz resultado  a que alcana o indivduo transgressor. Na quinta-feira 4, a dentista Patrcia Moreira da Silva, 23 anos, que foi flagrada por cmeras de TV gritando macaco para o goleiro santista, admitiu em depoimento t-lo insultado, mas disse ter se deixado levar pelo coro da torcida que costumeiramente profere cantos racistas contra adversrios. Tal argumentao s refora o quo  fundamental a punio individual dos que cometem atos de violncia  como  o caso da injria racial e do racismo  em estdios de futebol.

Nesses locais, transgressores supem-se preservados pelo anonimato da multido e se encorajam para manifestar a sua falta de civilidade. Se essa moa e outros criminosos no forem punidos, mais uma vez ficaro escondidos, livres, diludos na punio coletiva, afirma Murad. Permitir que o ponta-direita Tesourinha fizesse parte do elenco do time, rompendo a barreira que impedia a participao de atletas negros, foi um gol do Grmio, anotado nos anos 50. Sessenta anos depois, quica na frente dessa centenria instituio gacha nova oportunidade para trabalhar  prevenindo, fiscalizando e punindo a minoria racista infiltrada na sua torcida  a favor da integrao social, reafirmando que a cor da pele no  sua adversria dentro das quatro linhas.


5#2 ELE DEVERIA TER SIDO SOLTO?
Nova morte causada por assassino do cartunista Glauco reacende debate sobre criminosos com doenas mentais e pe em xeque o sistema de tratamento no Pas
Raul Montenegro (raul.montenegro@istoe.com.br)

Na segunda-feira 1, o delegado Thiago Damasceno Ribeiro dirigia pelas ruas de Goinia (GO) quando viu um Honda Civic branco conduzido por um homem de cabelo curto e barba por fazer. O policial sabia que na noite anterior um carro igual havia sido roubado de Mateus Pinheiro Morais, 21 anos, que levou um tiro e morreu no assalto. Aps uma caada pelas ruas da cidade e disparos feitos pelo motorista, o Honda Civic colidiu em um muro. O condutor era Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 28, assassino confesso do cartunista Glauco e do filho dele, Raoni Villas Boas, em 2010. Cadu, como  conhecido, foi considerado inimputvel pela Justia por sofrer de esquizofrenia e liberado para receber tratamento em liberdade no ano passado.

CAADA - Carlos Eduardo Sundfeld Nunes  capturado aps perseguio policial em carro roubado

O assassinato de Mateus no seria o nico crime recente de Cadu. A polcia afirma que ele aparece baleando um agente carcerrio num vdeo feito por uma cmera de segurana no dia 28 de agosto e que participava de uma quadrilha de roubo de carros. Diante disso, a sociedade se pergunta: por que ele no estava internado? Onde o sistema falhou, uma vez que Cadu voltou a matar? Especialistas divergem sobre o assunto, mas as respostas passam pelo laudo que embasou a soltura, pela atuao da juza que autorizou a liberao e pelas condies em que ficam presos os doentes mentais que praticam crimes no Brasil. Est claro, porm, que  preciso reforar os mecanismos de controle para evitar novas tragdias.

Cadu conheceu Glauco em rituais do Santo Daime, cujos membros bebem o ch alucingeno ayahuasca, e o matou inspirado por iluses de que seu irmo seria uma encarnao de Jesus Cristo. No julgamento, foi considerado inimputvel por cometer o crime numa crise de esquizofrenia e internado para receber tratamento. Passou por diversas clnicas ao longo de trs anos e foi solto em 2013. Desde ento,  obrigado a visitar o psiquiatra uma vez por ms. Apesar de a lei dos manicmios (leia abaixo) pregar a reinsero social dos pacientes, a resoluo  desrespeitada em quase todo o Pas e a maioria dos hospitais de custdia no possui estrutura adequada para receber doentes mentais.  comum que eles sejam abandonados em instituies. Gois  um dos poucos Estados que cumprem a legislao. Desde 2006, quando o modelo atual foi implantado, 20% dos pacientes tratados tiveram as medidas de segurana extintas, e o ndice de reincidncia  de apenas 7%. Em s dois casos (incluindo o episdio atual) o novo crime acabou na morte de uma pessoa. Cadu, portanto, estava preso em um dos nicos lugares que davam possibilidade de acompanhamento adequado. Mas, ainda assim, ningum previu que ele poderia voltar a matar.

VTIMAS - Dono do Honda conduzido por suspeito foi morto no assalto; abaixo, cartunista Glauco, assassinado por ele em 2010

Para decidir pela liberao, a juza Telma Aparecida Alves se baseou em dois laudos. O primeiro, feito por uma equipe do Programa de Ateno Integral ao Louco Infrator (Paili) de Gois, e o segundo, pela junta mdica do Tribunal de Justia do Estado. Eles atestavam que no havia impeditivos para a liberdade. Uma semana antes da priso, o pai de Cadu alertou o ambulatrio onde o filho fazia tratamento que ele apresentava alteraes de comportamento. Foi marcada uma consulta e, 24 horas antes do primeiro crime, Cadu compareceu ao local consciente e sem alteraes psicomotoras, segundo relatrio da Secretaria da Sade obtido pelo jornal Folha de S. Paulo.

Os fatos posteriores fazem questionar a qualidade dos pareceres. Achei um tempo muito curto de internao porque  um paciente que tende  reincidncia, diz o psiquiatra Marco Antonio Coutinho Jorge. H uma crtica contra os manicmios e me pergunto se no esto liberando doentes para que no fiquem internados eternamente. Psiquiatra forense, Daniel Martins de Barros discorda.  rarssimo que o sujeito perca o controle seguindo o tratamento. Se ele adotou uma conduta criminosa com conscincia do que fazia,  sinal de que ele tinha que ter alta mesmo. Ele no foi internado para no ser bandido, mas para no ser doente. Ou seja: ser que Cadu  de fato inimputvel ou dever ir para a cadeia como homicida comum? Encontrar essas respostas  o desafio do judicirio para evitar que novos casos como esse se repitam. Para o Estado um ndice de 7% de reincidncia pode parecer pequeno. Mas para quem perde um filho nessas circunstncias no h ndice que conforte.


5#3 SERGIO RODRIGUES: O LEGADO DO MESTRE DAS CADEIRAS
O papa do design brasileiro elevou a pea  categoria de arte e deixou um dos mais ricos acervos mobilirios do Pas. A sua premiada poltrona Mole entrou para a exposio permanente do MoMA, de Nova York, e  venerada no mundo inteiro
Paula Rocha (paularocha@istoe.com.br)

Certa vez, o fotgrafo Otto Stupakoff (1935-2009) procurou o arquiteto e designer carioca Sergio Rodrigues (1927-2014) com um pedido. Precisava de um mvel confortvel para seu novo estdio, um sof ou poltrona na qual pudesse se esparramar e at, eventualmente, dormir. Para atender  solicitao do amigo, Rodrigues criou uma pea com estrutura robusta de madeira de jacarand, sobre a qual repousou um aconchegante almofado de couro. Nascia assim, em 1957, a premiada poltrona Mole, marco da carreira de Rodrigues, que faleceu em decorrncia de um cncer no dia 1 de setembro, no Rio de Janeiro, aos 86 anos. Considerado um dos mestres do design nacional, ele criou dezenas de peas emblemticas que constituem um dos mais ricos acervos mobilirios do Pas.

CONES - Rodrigues e sua mais famosa criao, a poltrona Mole (acima), e no dia em que conheceu o arquiteto francs Le Corbusier (de terno branco), em 1962

Dentre diversos designers nacionais, ningum foi to brasileiro, to produtivo e to diversificado quanto o Sergio, diz o designer Aristeu Pires, amigo de Rodrigues. De fato, o amor pela madeira, a criatividade e a percepo da identidade nacional sempre marcaram a produo do carioca. Arquiteto por formao, ele desenhou seu primeiro mvel em 1954, o icnico banco Mocho, inspirado num banquinho de ordenha. A consagrao como designer, no entanto, s veio com a Mole. Em 1961, a pea venceu o Concurso Internacional do Mvel, na cidade italiana de Cant, superando 438 candidatos de 27 pases. Segundo os jurados, a poltrona era o nico mvel no influenciado por modismos e absolutamente representativo de sua regio de origem. Anos mais tarde, a obra seria escolhida para integrar a exposio permanente do MoMA, museu de arte moderna de Nova York. Os mveis so como filhos, sou apaixonado por todos, mas a poltrona Mole tem um lugar especial no meu corao, dizia Rodrigues sobre sua criao mais aclamada.

Resultado de mais de 60 anos de trabalho, o vasto portflio do designer inclui obras inditas, como a poltrona Benjamim, batizada em homenagem ao neto mais novo, que ser lanada em edio numerada pela loja paulistana Dpot em 22 de setembro. J a marca Etel Interiores, da designer mineira Etel Carmona, promete para 20 de setembro a reedio de peas da linha Adolpho, criadas por Rodrigues, em 1991, especialmente para o amigo Adolpho Bloch (1908-1995), e nunca antes comercializadas. Sua brasilidade e seu estilo criativo e inovador sempre foram fonte de inspirao para mim. Perdi um amigo e colega e essa  uma forma de homenage-lo, diz Etel.

Alm do lanamento do mobilirio indito, outros projetos prometem manter viva a memria do artista, que era sobrinho de Nelson Rodrigues e deixa a companheira, Vera Beatriz, e trs filhos. O Instituto Sergio Rodrigues, criado em 2012, est organizando todo o acervo documental e iconogrfico do arquiteto. Mais de 30 mil itens, como plantas, croquis e fotos, j foram inventariados. A histria do carioca tambm ser tema de um documentrio dirigido pelo brasileiro radicado em Nova York, Peter Azen, de 30 anos, que conviveu com Rodrigues desde os seis, quando ele desenhou a casa de campo da famlia. O Sergio era um timo contador de histrias e gostava muito de ajudar os outros. Era um homem extremamente generoso, diz.

MODERNISMO - Rodrigues foi escalado por Lucio Costa para fazer os mveis de diversas construes de Braslia, como o Palcio do Planalto

Mais do que o esplio material, Rodrigues deixar como herana seu amor pela vida e pelo Brasil, garante um de seus amigos mais prximos, o empresrio Joo Caetano, dono da loja Arquivo Contemporneo, que comercializa obras do mestre. O Sergio tinha convico na alegria de viver. Ele era a representao perfeita da positividade carioca, diz. O designer Pedro Paulo Franco, por sua vez, acredita no carter atemporal do trabalho de Rodrigues: Ao ser indagado se ainda se considerava um arquiteto moderno, Paulo Mendes da Rocha citou deixei de ser moderno para ser eterno. Acho que o mesmo cabe a Sergio Rodrigues.


5#4 TRAIO, PODER E VINGANA
Em livro-surpresa, ex-primeira-dama da Frana diz que Franois Hollande  frio, cnico, no gosta de pobres e narra seu sofrimento ao saber do caso extraconjugal do marido
Helena Borges (helenaborges@istoe.com.br)

Lavar roupa suja em pblico quando o assunto  traio amorosa nunca foi praxe entre os poderosos na Frana. A ex-mulher do presidente francs, Franois Hollande, Valrie Trierweiler, porm, fugiu  linha discreta e escreveu um livro no qual relata os detalhes srdidos da relao do casal, manchando de vez a j arranhada reputao do poltico. Merci pour ce Moment (Obrigada por este momento) tem tiragem de 200 mil exemplares e, apesar de ter sido lanado somente na quinta-feira 4, j  o ttulo mais disputado na Amazon francesa. A atitude de Valrie rompe a tradio local, mas, justia seja feita, ela no foi a primeira: no ano passado, a tambm ex-primeira-dama Cecilia Attias publicou uma autobiografia contando os podres de Nicolas Sarkozy.

AMANTES - No livro, Valrie Trierweiler (acima) conta que se dopou com remdios
 ao ver a foto de Hollande e Julie Gayet (abaixo) no noticirio

Em 320 pginas, Hollande  descrito como frio, cnico, um homem que menospreza os outros e que se desumanizou aps a conquista do poder, alm de no gostar de pobres (leia ao lado). Entre os relatos dos nove anos de relao  dos quais 18 meses se passaram no Palcio do Eliseu, sede da presidncia francesa  o principal  a descrio dos bastidores de quando Valrie descobriu a pulada de cerca do presidente com a atriz Julie Gayet. Ela conta o inferno que viveu. Sinto a tempestade que vai se abater sobre mim e no tenho foras para resistir. Quero fugir. Perco a conscincia, narra, ao lembrar de quando se dopou com remdios para dormir ao ver as fotos do marido com a amante no noticirio.

A confeco do livro fez a agente literria Anna Jarota parecer mais uma agente secreta. Escrito durante seis meses em um computador desligado da internet para evitar vazamentos e espionagem de hackers, ele foi impresso na Alemanha e transportado em caminhes para a Frana um dia antes do lanamento. Durante os encontros com editoras, autora e agente literria diziam que era um projeto sobre aes comunitrias na Nigria. At a ordem de compra enviada s livrarias tinha ttulo e autor falsos. No deixa de ser, tambm, mais uma forma de acertar as contas com o ex: Hollande tomou conhecimento da desagradvel surpresa junto com o pblico. Exatamente como aconteceu com Valrie, quando soube do caso extraconjugal dele.


5#5 O SEAWORLD FAZ GUA
Em baixa aps denncias envolvendo cativeiro de animais e acidentes com treinadores, um dos maiores parques marinhos do mundo tenta recuperar a credibilidade
Camila Brandalise (camila@istoe.com.br)

Maior smbolo do SeaWorld, um dos maiores parques de animais marinhos do mundo, presente nas cidades de Orlando, San Diego e San Antonio, nos Estados Unidos, a baleia orca tem sido um grande motivo de discrdia. Depois de ser alvo de polmica envolvendo acidentes e maus-tratos com animais e treinadores, que culminaram com o documentrio Blackfish, de 2013, os parques perderam credibilidade, principalmente entre os turistas. Nos ltimos meses, foi registrada queda de visitao e de faturamento no complexo (leia quadro), e  evidente um esforo para refazer a imagem da marca. O SeaWorld anunciou um plano ambicioso, o Blue World Project, que pretende duplicar o espao das baleias e criar um novo ambiente de interao entre humanos e bichos, alm de se tornar o maior aqurio de orcas do mundo. Segundo o vice-presidente de comunicao corporativa do parque, Fred Jacobs, essas mudanas no tm relao com o documentrio. A expanso foi pensada h muito tempo. Nos ltimos quatro anos, investimos mais de US$ 70 milhes para atualizar essas instalaes, disse  ISTO. O projeto deve ficar pronto em 2018 na unidade de San Diego, Califrnia.

SHOW - Orcas se apresentam no parque SeaWorld, que tenta aumentar sua popularidade aps denncias sobre o tratamento dos animais

Coincidentemente, data de quatro anos atrs um dos acidentes mais graves envolvendo o parque. Uma experiente treinadora, Dawn Brancheau, foi morta ao ser atacada por uma orca durante um show diante de um pblico estupefato. A orca, em ingls chamada de killer whale (baleia assassina),  um dos maiores predadores do mundo animal e seu habitat  o mar aberto. Segundo especialistas, no cativeiro elas podem desenvolver estresse. Presas, elas costumam ter comportamentos neurticos, no se reproduzem bem e no tm uma vida longa, afirma Naomi Rose, pesquisadora de mamferos marinhos do Animal Welfare Institute, dos EUA. O SeaWorld rebate as acusaes e garante que h um investimento de milhes nos habitats artificiais, alimentao de qualidade, exerccios fsicos, estmulos mentais, cuidados veterinrios e a companhia de outros membros da mesma espcie. Para especialistas, essa preocupao no  suficiente. Deborah Giles, pesquisadora associada da Universidade da Califrnia Davis,  taxativa ao dizer que o ambiente artificial nunca poder tomar o lugar do ecossistema martimo. No adianta aumentar o tamanho dos tanques de gua, afirma, referindo-se a um dos itens do Blue World Project. Por maior que seja, ainda ser um tero do que a baleia poderia nadar no mar.

Alm de no ser um ambiente natural para as orcas, as piscinas dos parques as deixam afastadas de seus grupos, que tm determinadas caractersticas, como alimentao e dialetos peculiares.  a mesma espcie, mas h diferentes tipos de comunicao e hbitos. Isso pode ser um agravante em conflitos entre os prprios animais, afirma Milton Marcondes, diretor de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte e um dos maiores especialistas brasileiros em animais marinhos.

